Quase meia noite, está frio, silencioso. . . o ar pesa, tudo parece calmo, como se nada mudasse, tudo está em seu lugar.
De pronto algo se move, procuro com meus olhos e ouvidos, mas não encontro nada. . . é só o pensamento, que caminha, corre, quase voa. . .
Em seu movimento, ele enche-se de imagens e palavras que transbordam pelos dedos, passando pelo teclado e vindo a dar direto na tela. . .
Ao lê-las, percebo que ainda estão confusas, não fazem muito sentido, não aquele sentido comum, nosso, que todos repetimos e repetimos e repetimos. . . mas talvez um sentido próprio, que é só seu, ou quem sabe, elas alcançaram a liberdade e podem ter qualquer sentido.
Escrever é muito mais difícil quando não temos que dizer nada a ninguem. . .
sábado, 16 de janeiro de 2010
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Noturno da Mosela
A noite... O silêncio...
Se fosse só o silêncio!
Mas esta queda d'água que não pára! que não pára!
Não é de dentro de mim que ela flui sem piedade?...
A minha vida foge, foge - e sinto que foge inutilmente!
O silêncio e a estrada ensopada, com dois reflexos intermináveis...
Fumo até quase não sentir mais que a brasa e a cinza em
minha boca.
O fumo faz mal aos meus pulmões comidos pelas algas.
O fumo é amargo e abjeto. Fumo abençoado, que és amargo e abjeto!
Uma pequenina aranha urde no peitoril da janela a teiazinha levíssima.
Tenho vontade de beijar esta aranhazinha...
No entanto em cada charuto que acendo cuido
encontrar o gosto que faz esquecer...
Os meus retratos... Os meus livros... O meu crucifixo de marfim...
E a noite...
- Manuel Bandeira
Não pude deixar de me lembrar deste poema do Manuel que duplamente me agrada, por si só e por falar da minha querida Petrópolis.
Afinal, o que seria de nós poetas sem as tormentosas e ludibriantes madrugadas frias. Mesmo no calor do carnaval do Rio de Janeiro...
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